O que eu vejo hoje
Não é o mesmo que verei amanhã
Se amanhã eu nem estarei aqui
Sentada neste sofá de veludo vermelho
Recostada na cabeceira
Olhando o dia que não termina
O som do que prossegue lá fora
O carrinho de mão
Os homens
As crianças, alguns passarinhos
O ônibus que volta
Nos morros as casas enfeitadas
Há pouco a polícia esteve ali
Plantou bandeira
Expulsou bandido
Tudo parece feliz ou tranquilo
A perspectiva da comunidade
A visita política
A favela virou bairro
Obras, saneamento, asfalto
Empresa, imprensa
Mídia.